Estou terminando de ler o Tratado de Ateologia, do Michael Onfray.
O livro é legal, muito divertido em certos momentos. Mas muito pouco filosófico..
Apesar disso, algumas coisas são muito legais, pois o autor usa de umas informações que jamais encontraria se dependesse de mim, pois dependem da leitura de vários livros, incluindo a Bíblia, que eu considero um livro deveras chato.
Muito legal quando ele trata a respeito do modelo de direito utilizado na França, que jura que é o país mais laico do mundo. Ele discorda, pois no final das contas o direito romano, parte do princípio do livre arbítrio, que é antes de tudo um princípio biblico.
Explico:
Livre arbítrio-> Se a pessoa erra, a responsabilidade é dela, congelada no tempo. Ela era livre para não agir de tal forma.
Direito romano-> Se a pessoa comete um crime, ela o fez por livre e espontânea vontade, e deve ser responsabilizada....
A única maneira de separar o direito do seu mote judaico-cristão, seria levar sempre em consideração, fatores históricos, psicológicos, etc... descongelar o livre arbítrio, transforma-lo em algo dinâmico, relativo...
Outra coisa muito legal do livro, é quando ele trata da construção histórica do Nazareno, enquanto construção mítica feita por Paulo de Tarso, dentro do modelo literário da época.
Ele faz isso comparando com a construção que Diógenes Laércio faz no Vidas, opiniões e sentenças dos filósofos ilustres, como por exêmplo Platão, que segundo Diógenes, era filho de uma virgem, ou um outro filósofo, que tb renasceu, e por aí vai... no final, chega-se à conclusao de que era comum criar esse tipo de exagero, para enfatizar o personagem.
por fim, parte muito legal, é quando ele esmerilha a biblia, apontando textos controversos e redundantes, citando versículos, etc. Tipo.... "não matarás"... 3 páginas depois "e deus ordenou que fossem exterminados tais povos"... o teor de escárnio é muito massa...
Detestei quando ele disse que devemos nomear a RAZÃO, como verdadeira fonte de verdade, blá blá.... mania besta essa dos franceses.....
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5 comentários:
gostei da relação entre o direito romano e o livre arbitrio, nunca tinha pensado sobre.
Mas o melhor do seu post é contando sobre a bíblia... mas sobre isso nem faço mais comentários.. aliás farei um: fui cortar o cabelo e minha carteira é preta e de ziper... coloquei na mesinha e tal... minutos depois o cabeleireiro "nossa, vc anda com uma bíblia!". Juro que achei que ele estivesse zoando e falei "sim".. depois olhei para frente e uma biblia pequena bem na minha frente, vi que ele falava sério e mudei de assunto para não sair de lá com o cabelo cortado pela metade.
Isso que dá querer cortar em qq lugar, devia ter esperado voltar para SP amanhã...
abcs
k. veio com um papinho de que num tem com quem conversar, que só fala o que pensa pra mim, etc, etc...dei uma comida de rabo nele dizendo que ele é que é cuzão de não se dignar a ter boas conversas virtuais com os amigos com quem sem dúvida teria diálogo. mas o bicho é cabeça dura (mas disse que irira pensar em tudo que falei, e olha que falei, mas aposto que já recalcou!)
então, nossa cultura é baseada na culpa e não sei se a culpa tem origem na religião judaico cristão, ou se a religião judaico cristã tm origem na culpa. sei que pra uma nação ocidental ser totalmente laica, provavelmente só se a terra se levantasse e tal nação fosse parar, sei lá, na antartica. issso se a culpa tiver origem na religião. se for o contrario, tamo ralado...
sobre a razão, avisa o nego que o iluminismo já era, ja fracassou tem tempo, e que o homem simplesmente não consegue se pautar de forma completa peloa razão pois "não é senhor em sua própria morada", tem uma coisinha chamada inc. que determina muitas de suas ações, que pelo viés consciente, são entendidas como irracionais, qdo na verdade apenas seguem outra lógica.
ele entra, mas acho o msn uma perda de tempo e blogs uma bobagem, não ve nem o meu.
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